“Parabéns pra você,

Nessa data querida,

Muitas felicidades
,

Muitos anos de vida”



“Parabéns a você,

Nesta data querida,

Muita felicidade,

Muitos anos de vida.”



Mildred Hill

Mildred Hill

Mildred Jane Hill, (1859.1916) nascida em Louisville, Kentucky, foi a mais velha de três irmãs. Aprendeu música com seu pai, Calvin Cody e Adolph Weidig.

Enquanto ensinavam na Louisville Experimental Kindergarten School, as irmãs Hill escreveram a música “Good Morning to All”.

Patty Smith Hill

Patty Smith Hill

Mildred escreveu a melodia e Patty as letras. A canção foi publicada pela primeira vez em 1893 em “Histórias de Canções para o Jardim de Infância” como uma canção de saudação para os professores cantarem para seus alunos.

As “Histórias da Canção para o Jardim de Infância” tinham mais de 20 edições, e foram traduzidas para o francês, alemão, espanhol, chinês, japonês e sueco.



Apareceu pela primeira vez em 1912 usando a melodia de “Good Morning to All” com letras diferentes.

Sua popularidade continuou a crescer até a década de 1930, sem autor identificado para as novas letras, nem crédito dado pela melodia de “Good Morning to You”.

Com base em 1935 registros de direitos autorais pela Summy Company, e uma série de processos judiciais (que todos resolveram fora dos tribunais), as irmãs ficaram conhecidas como as autoras de “Happy Birthday to You”.

A Fundação Hill hoje compartilha royalties em apresentações públicas da música. No entanto, isso foi questionado depois que um juiz decidiu contra a legitimidade dos direitos autorais.



Bertha Celeste Homem de Mello, autora da letra em português da canção “Parabéns a Você“, comumente cantada nos aniversários.

Nasceu em Pindamonhangaba, 21 de março de 1902. Foi uma poetisa, farmacêutica e professora brasileira.

Única filha de casal de fazendeiros de Pindamonhangaba, Bertha formou-se em farmácia. Casou-se e teve uma única filha, Lorice.

Bertha Celeste Homem de Mello

Bertha Celeste Homem de Mello

Dotourou-se em Letras, escrevendo poemas que foram mais tarde publicados no livro “Devaneios“. Aos 54 anos mudou-se para a cidade de Jacareí, onde lecionou por mais de 40 anos e em 12 de setembro de 1998 recebeu o título de cidadã honorária, mesmo data em que lançou seu livro. Além da canção mais conhecida, uma outra, intitulada “Arraiá“, foi gravada pelo cantor Rolando Boldrin.

Declarava ter se emocionado em várias ocasiões em que sua letra foi entoada, especialmente durante a festa do quarto centenário da cidade de São Paulo e durante visita do Papa João Paulo II em 1980, na cidade de Aparecida.

Em Jacareí veio a falecer aos 97 anos em 16 de agosto de 1999 e está sepultada em sua cidade natal.


NHA MARIA !

Bertha Celeste Homem de Mello

Pela saudade, um dia fui levada
àquela casinhola ao pé da estrada,
para rever a velha Nha Maria
– uma boa e simpática roceira,
que foi, outrora nossa lavadeira
e que eu há longos anos já não via…

Enternecida, a pobre da velhinha
fez-me sentar num banco da cozinha,
e ofereceu-me um “gole de café”…
Um caldeirão, no fogo, fumegava;
alí por perto, pelo chão ciscava
um casal de galinhas garnisé…

Na quietude gostosa lá da roça,
eu, entretida com a conversa nossa,
nem percebia as horas que passavam !
Em seu falar, interessante e rude,
queixou-se-me da vida e da saúde
que, pouco a pouco, os anos lhe roubavam…

Depois, contou-me casos do passado;
do seu remoto e trágico noivado
com o Zé Florencio, um “cabra” valentão…
Mas… eis que pára E funga. E levantando,
e a panela depressa destampando…
“Nossa Virge”! queimô tudo o fejão ! ! !



Em 1942, o cantor Almirante, pseudônimo de Henrique Fóreis Domingues, que apresentava um programa na Rádio Tupi do Rio de Janeiro, resolveu promover um concurso para escolher uma letra em português da canção.
A música da compositora, foi escolhida entre cerca de cinco mil letras por uma comissão julgadora formada pelos membros da Academia Brasileira de Letras com os imortais Olegário Mariano, Cassiano Ricardo e Múcio Leão e escolhida por dois motivos principais: foi uma das únicas que trazia cada verso diferente (a maioria repetia a mesma frase) e pela beleza.

“Ela contava que soube do concurso e estava pensando em escrever a letra, aí um dia o rapaz que trabalhava perto do sítio disse que iria para a cidade e se ela queria alguma coisa. Daí ela escreveu o ‘Parabéns’ em cinco minutos e deu para ele colocar no Correio”, relembra a neta Eliana Homem de Mello Prado.

Além deste concurso, que venceu usando o pseudônimo de “Léa Guimarães”, participava de diversos outros que ouvia pelo rádio, sendo vencedora diversas vezes – como na quadra feita para escolha do jingle de uma cera de polimento de pisos, que dizia:

“Vou lhe contar um segredo / Que todos sabem de cor / Dá lustro até num rochedo / A supercera Record”.

Sobre ela diversas vezes a autora se irritava com os erros comumente cometidos pelas pessoas, que costumam entoar os versos como “parabéns pra você / nessa data querida / muitas felicidades…”

Sobre os erros grifados ela acentuava que não era “pra você”, e sim “a você“; “nesta data” e nunca “nessa” e, finalmente, o terceiro erro, repetia que “a felicidade é uma só” – singular e não plural.



A música continua sendo uma das mais executadas em todo o país, segundo o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), órgão responsável pelo recolhimento de direitos autorais. Por ser uma canção que tem autoria, o “Parabéns a Você” recolhe dinheiro dos direitos autorais sempre que é executada publicamente ou usada em filmes, novelas e programas de rádio e TV, assim como quando é gravada.

Segundo dados do Ecad, o “Parabéns a Você” está há quatro anos consecutivos entre as duas primeiras músicas mais executadas nos segmentos Música Ao Vivo e Salão de Festas. O órgão, porém, não divulga o número de execuções e nem os valores arrecadados anualmente. O repasse à família, que preferiu manter o valor em sigilo, é feito mensalmente.

Atualmente, a família recebe 16,66% de tudo que é arrecadado pelo Ecad pelas execuções da canção no Brasil. Os 83,4% restantes são divididos igualmente entre a editora Warner Chappell – detentora da música original – e os herdeiros das autoras americanas.

Em razão do sucesso da letra, Lorice Homem de Mello, a filha de Bertha Homem de Mello, mãe de Eliana, que tem deficiência auditiva e visual, conta com a ajuda de três cuidadores. “Minha mãe era o xodó da minha avó e graças a Deus esse legado que ela deixou, também no aspecto financeiro, tem sido revertido totalmente para cuidar da minha mãe”, assegurou. A mãe de Eliana vive até hoje na casa onde a autora morou por mais de quatro décadas em Jacareí.

Eliana Homem de Mello Prado

Eliana Homem de Mello Prado

Para Eliana, a composição é um legado que Bertha deixou para a família. “É algo importantíssimo. É impossível ir a algum aniversário e não lembrar da minha avó. É marcante. É o orgulho de toda família e especialmente da minha mãe. Quando meus filhos contam que a bisavó foi quem escreveu a letra, a maioria das pessoas não acredita”, afirma.

Coautor?

Em uma reportagem da TV Globo de 23 de março de 1997 é possível ver realmente que Bertha Homem de Mello gostava que a letra fosse cantada de forma correta.

Mas durante mais de três décadas a autora da versão nacional ficou sem receber metade dos direitos autorais. Isso porque em 1978 o produtor musical Jorge Gambier firmou um contrato com Bertha Celeste por acrescentar mais quatro frases na canção.

A quadra criada por Gambier, que continuava o tradicional “Parabéns”, seguia a mesma melodia e tinha os seguintes versos: “A você muito amor / E saúde também / Muita sorte e amigos / Parabéns, parabéns”. Segundo a família, Jorge disse à época que produziu um disco infantil na década de 1970 e queria gravar a canção, mas como a letra era curta ele pediu autorização à editora para completá-la e foi informado que deveria firmar um acordo com a então autora da música.

A situação só foi resolvida no final de 2009, quando um advogado contratado pela família de Bertha conseguiu que a editora Warner retirasse Gambier como coautor. Na época houve um “ajuste de crédito” dado à família pelo tempo que os direitos ficaram divididos. Desde então, a herdeira de Bertha recebe a parte que lhe cabe, que é de (os 16,66%).


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Fontes:
ECAD  | Wikipédia | HomemDeMello