Um fato curioso aconteceu, quando o guitarrista americano Pat Metheny quis conhecer a sede do famoso “The Corner Club”.

Pat Metheny and his orchestrion-Photo Jimmy Katz

Mesmo com a explicação de que o clube, enquanto espaço físico, de fato não existia, o guitarrista não acreditou e só sossegou quando foi levado até a famosa esquina.

O mesmo fato se deu com o tecladista Lyle Mays, que ficou um tanto decepcionado ao avistar a “sede” do clube.

Lyle Mays-ft-John A. Lacko

A música do Clube da Esquina, em especial a de Milton Nascimento, ficou muito conhecida nos Estados Unidos. Marcio Borges, em seu livro “Os sonhos não envelhecem”, conta que:

Lyle “e a turma de Pat tinham mandado um amigo viajar anônimo para Minas Gerais e perambular pelas cidadezinhas em torno de Belo Horizonte: Nova Lima, Sabará, Ibirité, para tentar descobrir a causa da originalidade da música feita por “The Corner Club”, a qual eles ouviam nos “Estados Unidos desde meninos”.


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Movimento musical integrado por Milton Nascimento, Lô Borges, Toninho Horta, Beto Guedes, Marcio Borges, Túlio Mourão, Fernando Brant, Ronaldo Bastos e Wagner Tiso, entre outros, em sua maioria músicos mineiros, que se tornou conhecido a partir do lançamento, em 1972, do LP “Clube da Esquina”, liderado por Milton Nascimento e Lô Borges.

Clube da Esquina |Milton Nascimento|Lo Borges|Beto Guedes|ft. Bardo

O disco projetou a carreira individual de muitos dos músicos participantes, como Toninho Horta, Wagner Tiso e Beto Guedes, entre outros.

O nome do movimento surgiu em função da esquina das ruas Paraisópolis e Divinópolis, no bairro de Santa Teresa, em Belo Horizonte, que servia como ponto de encontro dos músicos mineiros.

Lo Borges, Fernando Brant, o ex-presidente da República Juscelino Kubitschek e Milton Nascimento em 1971 | Luiz Alfredo - O Cruzeiro

Uma placa afixada na esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis recorda que este é o local histórico, onde, há mais de 40 anos, jovens reuniram seus sonhos e talentos para criar um dos principais movimentos musicais brasileiros, o CLUBE da ESQUINA. Entre seus sócios fundadores estão Milton Nascimento, Lô Borges, Toninho Horta e Beto Guedes. “E meu tesouro me leva pelas ruas de Santa Tereza. A pedalar encontro o amigo do peito sentado na esquina…” (www.yelp.com)

Foto cortesia TripAdvisor

Foto cortesia TripAdvisor

Foto cortesia TripAdvisor

Os integrantes do Clube da Esquina desenvolveram carreiras individuais de sucesso, atuando como cantores, instrumentistas, arranjadores e compositores.

Em 1978, foi lançado o LP “Clube da Esquina 2”.

Em 2000, o grupo voltou a se reunir informalmente, para festejar os 30 anos da canção “Um girassol da cor de seu cabelo” (Lô e Marcio Borges), gravada no disco de 1972. O encontro foi em Visconde de Mauá, divisa entre Rio de Janeiro e Minas Gerais, na casa de Marcio Borges.

Em 2015, foi lançado, pelo selo Slap, da Som Livre, o disco-tributo “Mar azul – Sons de Minas Gerais Volume 1”. Do projeto participaram Pedro Luís, Moska, César Lacerda, Júlia Vargas, Silva, Maíra Freitas, Michele Leal, Lucas Arruda, Dani Black, João Bittencourt e o grupo Ordinarius.

Foi divulgado a partir de um conceito audiovisual que resultou em onze vídeofaixas. Os discos “Clube da Esquina” (1972) e “Clube da Esquina 2” (1978) foram pontos de partida para a escolha do repertório.


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Em matéria comemorando os 40 anos do movimento Clube da Esquina, em 2012, os jornalistas de cultura do jornal Estado de Minas descobriram quem são os ‘meninos’ da capa do primeiro disco do movimento, denominado de Clube da Esquina (1971).

O autor da imagem, Cafi, clicou os garotos a caminho da fazenda da família de um dos iletristas do grupo, Ronaldo Bastos, em 1971. A dupla foi para a região serrana do Rio de Janeiro e conversou com mais de 50 moradores da região até chegar a uma mulher que identificou prontamente os meninos.

Clube da Esquina-os garotos Tonho e Cacau

Durante muito tempo, várias pessoas acreditavam que os meninos da capa fossem Lô Borges e Bituca. Mas não… eles se chamam José Antônio Rimes e Antônio Carlos Rosa de Oliveira, ou melhor: Tonho e Cacau.

Tonho e Cacau - (foto Túlio Santo - D.A.Press E.M)

José Antônio Rimes, o Tonho, é recompositor, responsável por encaixotar, organizar e distribuir as mercadorias na seção de congelados de um supermercado local. Ele relembrou que estava brincando em um morro de terra removida por tratores próximo a um campo de futebol quando Cafi (o fotógrafo) e Ronaldo Bastos passaram dentro de um fusca. “Alguém dentro do carro me gritou e eu sorri. Estava comendo um pedaço de pão que alguém tinha me dado porque eu estava morrendo de fome e para variar descalço. Até hoje não gosto muito de usar sapato. Mas nunca soube que estava na capa de um disco. A minha mãe vai ficar até emocionada. A gente nunca teve foto de quando era menino”, disse Tonho que, até então, nunca tinha ouvido falar em Milton Nascimento ou em Clube da Esquina.

Já Cacau, que trabalha como jardineiro e pintor, não se lembra exatamente do dia em que a foto foi tirada, mas se deparou com a capa anos depois, em Macaé, no litoral do estado do Rio, e desconfiou que fosse ele na foto. “Coloquei a minha mão sobre a foto e fiquei reparando aquele olhar. Achei que era eu mesmo e acabei comprando o CD porque não tinha mais LP na época.”

Tonho e Cacau-Komunic Comunicação Integrada-clubedaesquina

Os meninos nasceram na fazenda da família Mendes de Moraes na zona rural de Nova Friburgo, local em que os pais trabalhavam como lavradores. Eles viviam juntos e aprontavam bastante: jogavam futebol, bola de grude, pegavam frutas na cidade, nadavam na prainha do Rio Grande e nas cachoeiras. Quando as famílias se mudaram para lugares distantes, quando tinham cerca de 20 anos, acabaram se afastando.

Eles toparam reviver a foto clássica da capa do disco do Clube da Esquina. Não foi fácil localizar o lugar exato em que foi tirada por causa do tempo e de desastres como enchente, mas a reprodução tentou ser o mais fiel possível.

Milton NascimentoMilton Nascimento havia lançado três discos quando, em 1972, se juntou ao amigo Lô Borges, à época com 18 anos, para gravar Clube da esquina, lendário álbum cujo nome teve origem no movimento que artistas mineiros haviam deflagrado em Belo Horizonte. Seis anos depois, o cantor e compositor carioca, criado em Três Pontas (MG), esteve à frente do projeto que deu origem ao igualmente cultuado Clube da Esquina 2.Wilson Lopes Uai.com.br

Agora, ao revisitar esses dois discos, Milton os utiliza como base para o show da turnê, que teve início em Juiz de Fora — cidade mineira onde ele está radicado há dois anos. Após uma série de três apresentações em Belo Horizonte, a turnê do Clube da Esquina chega a Brasília no dia 13 de abril com os integrantes:

Acompanhado por Wilson Lopes (guitarra, violão e direção musical), Beto Lopes (guitarra e violão), Alexandre Ito (baixo), Kiko Continentino (piano), Lincoln Cheib (bateria), Ronaldo Silva (percussão) e Widor Santiago (sax e flauta), o cantor tem como convidado Zé Ibarra, vocalista da banda carioca Dônica.Beto Lopes

Canções como:

Cais, Cravo e canela, Paisagem da janela, O trem azul e Para Lennon e McCartney, do Clube da Esquina 1;

Maria Maria, Mistérios e Nascente, do Clube da Esquina 2 estão no repertório do show.

Mas há também músicas de outros discos de Milton, entre elas Fé cega, faca amolada, Paula e Bebeto, Ponta de areia e Volver a los 17.

Entrevista com Milton Nascimento

Agora, com distanciamento de mais de 50 anos, qual a sua reflexão sobre o Clube da Esquina, movimento que o teve como principal pilar?

Acho que a maior reflexão de todas é a amizade. Se não fosse por isso, tenho certeza de que nós não teríamos feito o que fizemos. O Clube de Esquina foi um encontro de amigos, começamos assim e continuamos até hoje.

Além de Lô Borges, que participou do show em Belo Horizonte, de quais integrantes do movimento você se mantém próximo?

Nos dois discos Clube da Esquina que nós gravamos, houve a participação de dezenas de pessoas, não só de músicos e compositores, mas também produção, copistas, técnicos, nossa, era sempre muita gente, sabe? Sem falar que todas essas pessoas são praticamente do Brasil inteiro (bem mais no Clube 2), então, a gente está sempre encontrando os amigos por aí. E isso nunca vai mudar, nossa ligação é infinita.

Que lembranças guarda de Fernando Brant, seu parceiro em Travessia e outros clássicos da MPB?

Tem uma coisa que eu faço questão de contar em todos os shows dessa turnê. Para mim, é muito difícil falar do Fernando, mas a vida não teria sido tão linda se não fosse a convivência com ele.

Trazer de volta o repertório dos álbuns Clube da Esquina 1 e 2 no show da nova turnê tem algo a ver com doces recordações ou a intenção é a de fazer releitura daquelas belas canções?

Esse show, na verdade, é uma celebração. Meu filho, Augusto, diretor artístico deste projeto, foi quem teve a ideia de juntar os dois discos. E como a gente nunca tinha feito nada parecido, achamos que finalmente era hora de levar isso adiante.

Nas apresentações da turnê, como tem sido a acolhida das pessoas?

A estreia, na verdade, foi em Juiz de Fora, no último 16 de março, cidade onde moro desde 2016. Depois disso, fizemos três shows em BH, no Palácio das Artes, e um em Jaguariúna (SP). E olha, vou te confessar, na minha carreira nunca vi nada igual. Jamais pensei que ainda fosse viver uma emoção tão grande como essa. Só tenho a agradecer.

Na plateia, a presença maior é de fãs que têm acompanhado sua trajetória, ou há renovação entre os espectadores?

Sabe que eu nunca fiquei pensando muito nisso. Para mim, vejo de maneira igual todas as pessoas que vão ao meu show, sem distinção de nada, sempre.

As versões acústicas de músicas consagradas de sua obra, reunidas em EPs e lançadas nas plataformas digitais, vão virar disco físico?

Tudo pode acontecer, mas, por enquanto, ainda estamos curtindo esse lançamento.

Diante de viagens sucessivas e desgastantes, se sente confortável nessa turnê?

Como eu disse antes, eu nunca me senti tão bem. Ainda mais viajando ao lado de tantos amigos. Aí não tem jeito, né? É só felicidade.

Ao longo do tempo você veio diversas vezes a Brasília, desde um histórico show com Beto Guedes, à época dos álbuns antológicos Minas e Geraes. O que o faz lembrar da capital do país?

Nossa! Muito interessante essa informação sobre o show do Minas e do Geraes em Brasília. Se alguém tiver mais coisas sobre isso, como alguma resenha, matéria de jornal, fotos, por favor, manda pra gente! Brasília é um dos lugares que nunca ficam de fora de um projeto meu. As pessoas que gostam da nossa música sempre me receberam muito bem na cidade. Por isso que eu sempre faço questão de voltar. Vivi muitas coisas marcantes em Brasília, principalmente nos shows que a gente fez.

O Brasil vive tempos de desagregação e confrontação. Como artista e cidadão, que leitura faz da situação atual do país?

Eu tenho dito sempre a mesma frase: as coisas estão muito esquisitas.


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