Adoniran Barbosa, nome artístico de João Rubinato (Valinhos, 6 de agosto de 1910 — São Paulo, 23 de novembro de 1982), foi um compositor, cantor, humorista e ator brasileiro.

Rubinato representava em programas de rádio diversas personagens, entre as quais, Adoniran Barbosa, que acabou por se confundir com seu criador dada a sua grande popularidade. Adoniran ficou conhecido nacionalmente como o pai do samba paulista.

Curiosidades

Em Jundiaí, Adoniran conhece seu primeiro ofício: entregador de marmitas.

Aos quatorze anos, já adolescente, andava pelas ruas da cidade e, legitimamente, surrupiando alguns bolinhos pelo caminho.

“A matemática da vida lhe dá o que a escola deixou de ensinar: uma lógica irrefutável.
Se havia fome e, na marmita oito bolinhos, dois lhe saciariam a fome e seis a dos clientes; se quatro, um a três; se dois, um a um”.

O primeiro casamento com Olga Krum não dura um ano; o segundo, a vida toda: Matilde.

De grande importância na vida do sambista, Matilde sabe com quem convive e não só prestigia sua carreira como o incentiva a ser quem é e como é, boêmio, incerto e em constante dificuldade.
Trabalha também fora e ajuda o sambista nos momentos difíceis, que são constantes.
Adoniran vive para o rádio, para a boêmia e para Matilde.

Numa de suas noitadas, de fogo, perde a chave de casa e não há outro jeito senão acordar Matilde, que se aborrece.

O dia seguinte foi repleto de discussão.
Entretanto, Adoniran é compositor e dando por encerrado o episódio, compõe o samba “Joga a Chave”.

Adoniran Barbosa

Dono de um repertório variado de histórias, o sambista não perdia a vez de uma boa blague.

Certa vez, quando trabalhava na rádio Record, onde ficou por mais de trinta anos, resolveu, após muito tempo ali, pedir um aumento.

O responsável pela gravadora disse-lhe que iria estudar o aumento e que Adoniran voltasse em uma semana para saber dos resultados do estudo… quando voltou, obteve a resposta de que seu caso estava sendo estudado.

As interpelações e respostas, sempre as mesmas, duraram algumas semanas…

Adoniran começava se irritar e, na última entrevista, saiu-se com esta:

“Tá certo, o senhor continue estudando e quando chegar a época da sua formatura me avise…”

1971 Adoniran Barbosa | ft.agencia o globo

Nos últimos anos de vida, com o enfisema avançando, e a impossibilidade de sair de casa pela noite, o sambista dedica-se a recriar alguns dos espaços mágicos que percorreu na vida.
Grava algumas músicas ainda, mas com dificuldade – a respiração e o cansaço não lhe permitem muita coisa mais – dá depoimentos importantes, reavaliando sua trajetória artística.
Compõe pouco.

Contudo, inventa para si uma pequena arte, com pedaços velhos de lata, de madeira, movidos a eletricidade.

São rodas-gigantes, trens de ferro, carrosséis.

Vários e pequenos objetos da ourivesaria popular – enfeites, cigarreiras, bibelôs…

Fiel até o fim à sua escolha, às observações que colhe do cotidiano, cria um mundo mágico.

Quando recebe alguma visita em casa, que se admira com os objetos criados pelo sambista, ouve dele que

“Alguns chamavam aquilo de higiene mental, mas que não passava de higiene de débil mental…”

Como se vê, cultiva o humor como marca registrada. Marca aliás, que aliada à observação da linguagem e dos fatos trágicos do cotidiano, faz dele um sambista tradicional e inovador.

Adoniran no Largo S.Bento SP 1978 | ft.arq.Veja